O que é a Doma Clássica?
A Doma Clássica é a tradição de equitação clássica de Portugal.
Pertence à tradição clássica europeia, a par de escolas como a Escola Espanhola de Equitação, em Viena, o Cadre Noir, em Saumur, e a Real Escola Andaluza, em Jerez.
I · Uma Escola Clássica que Permaneceu no Campo¶
A escola clássica portuguesa manteve-se estreitamente ligada às propriedades de criação de gado do Ribatejo e do Alentejo e à tourada a cavalo.
Um cavalo que tivesse de rodar rapidamente, parar e reposicionar-se em torno de um touro vivo não podia ser pesado na mão nem lento a responder. Por conseguinte, a escola portuguesa valorizava um cavalo montado a partir do assento, reunido sobre os posteriores e rápido a responder.
O ensino clássico desenvolveu-se, assim, a par das exigências práticas do trabalho com o gado e da tourada a cavalo.
II · Os Nomes e a Escola¶
O nome do Marquês de Marialva, estribeiro-mor da corte portuguesa no século XVIII, continua a representar a forma portuguesa de ensino. No século XX, Nuno Oliveira levou a sua ênfase na leveza a cavaleiros de todo o mundo.
Atualmente, é preservada pela Escola Portuguesa de Arte Equestre, que monta os cavalos Alter Real da Coudelaria de Alter, a coudelaria real fundada para servir a Coroa e a sua academia.
A escola preserva todo o repertório clássico: os andamentos reunidos e alongados, o trabalho lateral e os ares altos, os ares acima do solo.
III · O Que a Equitação de Trabalho Retirou e o Que Não Retirou¶
O piaffer, o passage e os ares acima do solo pertencem à escola clássica e não são exigidos na Equitação de Trabalho.
A Equitação de Trabalho recorre ao ensino que lhes está subjacente: a leveza, a capacidade de se sustentar a si próprio, o cavalo montado a partir do assento e o treino que permite que um cavalo possa, por fim, ser montado com as rédeas numa só mão.
IV · O Cavalo, a Sela e o Traje¶
O cavaleiro português monta o Lusitano com a sela portuguesa, a sela funda com a sua alta patilha traseira barroca, e usa o traje à portuguesa.
O Lusitano e o Andaluz partilham uma antiga herança ibérica e a mesma aptidão para a reunião. Os seus livros genealógicos só foram separados no século XX, quando Portugal registou o seu cavalo com o nome Lusitano. A linhagem portuguesa manteve-se particularmente próxima do trabalho montado com o gado e o touro, e tende para a rapidez e a coragem a curta distância que esse trabalho exigia.
V · A Doma Clássica na Equitação de Trabalho¶
Essa influência vê-se com maior clareza no Ensino de Equitação de Trabalho, em que o ensino do cavalo é demonstrado no plano através de uma sequência definida de movimentos.
A Maneabilidade leva depois esse ensino para as questões práticas do trabalho no campo.
A Doma Clássica continua a ser praticada nas escolas clássicas e nas propriedades de Portugal, demonstrada pela Escola Portuguesa de Arte Equestre e mantida viva na arena da tradicional tourada a cavalo, onde o cavaleiro monta o Lusitano a partir do assento.
Leia a seguir doma vaquera, a equitação de trabalho de Espanha
VI · Conhecer o Padrão É Apenas o Início¶
A Doma Clássica ajuda a explicar a origem de uma parte do padrão da Equitação de Trabalho. A escola portuguesa valorizava o equilíbrio, a leveza, a capacidade de o cavalo se sustentar a si próprio e um cavalo que pudesse permanecer disponível para o cavaleiro enquanto a rédea se mantinha quieta.
Para os Membros do Colégio, compreender essa herança é apenas uma primeira abordagem.
A pergunta seguinte é qual é realmente o aspeto dessas qualidades no trabalho. Dois cavaleiros podem executar corretamente o mesmo movimento e, ainda assim, produzir uma qualidade muito diferente. O traçado pode estar presente, o movimento pode estar presente e todas as partes exigidas podem ser concluídas, enquanto a nota continua a ser 6 ou 6,5. Aquilo que muda à medida que o trabalho avança para as notas 7 e 8 é o que o cavalo e o cavaleiro conseguem manter ao longo do movimento.
Esta é uma das formas pelas quais o Colégio começa a tornar essa diferença visível. A figura mantém o movimento inalterado e mostra o que muda à medida que uma maior qualidade é mantida ao longo do mesmo.
E mostra também para onde segue o estudo.
O Ramo Um dá aos Membros a referência: as tradições, o cavalo, os Princípios e as razões pelas quais o desporto exige aquilo que exige. O Ramo Dois regressa ao mesmo trabalho a partir do interior da equitação e do treino, onde o cavalo e o cavaleiro são desenvolvidos em conjunto. O Ramo Três regressa novamente, tendo a competição diante deles.
A Doma Clássica é, por conseguinte, mais do que uma parte da história a reconhecer. Primeiro, dá ao Membro parte do padrão. Depois, o currículo regressa a esse padrão e começa a perguntar como produzi-lo.