A Sela Portuguesa
A sela portuguesa é a sela funda, de patilha traseira alta, das propriedades de trabalho portuguesas e da tourada a cavalo. O regulamento nacional português descreve-a como a sela de traseira barroca mantida entre os cavaleiros portugueses como a sela da tourada.
É uma das quatro selas nacionais levadas para a Equitação de Trabalho.
I · O Que a Moldou¶
A sela teve origem nas propriedades de trabalho do Alentejo e do Ribatejo. Os pastores de gado dessas regiões precisavam de permanecer seguros durante longas horas: a atravessar água, a conduzir gado e a trabalhar junto de touros, com uma vara numa mão e as rédeas na outra.
A corrida de touros, a tradicional tourada portuguesa a cavalo, moldou-a ainda mais. Um cavaleiro que enfrenta um touro a cavalo tem de permanecer numa posição funda e estável durante os movimentos súbitos do cavalo a curta distância, e a sela existe para o manter nessa posição.
II · O Que Faz pelo Cavaleiro¶
Coloca o cavaleiro numa posição funda e baixa, com a perna comprida.
Isso coloca o cavaleiro numa posição funda e estável sobre o dorso do cavalo, permitindo que a perna penda comprida. Com uma das mãos destinada ao trabalho, essa posição favorece a utilização do assento e da perna.
Leia a seguir Posição de equitação
III · Como Se Compara com as Outras Três¶
Colocada ao lado da silla vaquera espanhola, a diferença de construção é imediatamente visível. A sela portuguesa mantém o cavaleiro através da altura e da forma da sua patilha traseira. A vaquera fá-lo através do enchimento de palha de centeio e de painéis cheios de crina que se adaptam a cada cavalo, sob um assento de pele de carneiro.
As quatro selas têm construções diferentes, mas todas favorecem uma posição de trabalho funda e segura, com uma perna comprida.
Leia a seguir A sela vaquera e a comparação entre as quatro
IV · O Que Dizem as Regras¶
Segundo as regras da WAWE, um concorrente monta com o traje nacional do país que representa, e o cavalo é arreado à maneira desse país. Cada nação envia antecipadamente à WAWE, para aprovação, uma descrição do seu traje e arreios.
O próprio cavalo pode pertencer a qualquer raça de sela. A sela é a do respetivo país.
Os arreios são ajustados e verificados para que nenhum dos seus elementos possa causar danos ao cavalo.
Leia a seguir Traje e apresentação
V · Onde Se Insere¶
A Doma Clássica é a tradição de equitação clássica de Portugal e manteve-se estreitamente ligada às propriedades de criação de gado e à tourada a cavalo, em vez de se separar da equitação de trabalho. A sela pertence a essa tradição.
Leia a seguir Doma Clássica
VI · O Ajuste Altera a Questão¶
A forma da sela portuguesa diz-nos muito sobre a tradição equestre que a produziu. Para o cavalo e o cavaleiro, a pergunta seguinte é como funciona essa forma quando a sela é efetivamente ajustada.
Uma sela encontra-se entre dois corpos em movimento. A sua relação com o dorso do cavalo afeta o ponto a partir do qual o cavaleiro tem de se equilibrar, acompanhar e utilizar o assento.
Para os Membros do Colégio, isso faz do ajuste uma parte da equitação, para além de uma decisão relativa ao equipamento.
O estudo mais aprofundado analisa a relação entre o dorso do cavalo, a sela e o cavaleiro sobre ela. Uma alteração no ajuste modifica a forma como os três se encontram e, por conseguinte, altera a informação que o cavaleiro recebe através do assento.
Isso confere à sela tradicional uma camada adicional de significado. A sua história explica a sua forma. O seu ajuste determina como essa forma se adapta a cada cavalo.
A história explica por que razão a sela tem a sua forma específica. O Ramo Um estabelece a sela, a sua construção e a tradição a que pertence, e o Ramo Dois leva os Membros à relação de ajuste entre a sela, o cavalo e o cavaleiro. Aquilo que o estudo posterior pergunta é como essa forma se adapta a cada cavalo.