Traje e Apresentação na Equitação de Trabalho
Os cavaleiros competem com o traje de trabalho do seu próprio país, e as regras internacionais assim o exigem.
As quatro formas nacionais de vestuário tiveram origem nas tradições de trabalho subjacentes ao desporto. A Equitação de Trabalho mantém essas diferentes formas nacionais, em vez de utilizar um único uniforme de competição internacional.
I · Portugal, o Traje à Portuguesa¶
O Traje de Equitação Português: uma jaleca, um casaco curto e justo que termina junto à cintura; calças altas que terminam de forma simples no tornozelo; um chapéu de abas largas preto, cinzento ou castanho.
A bota portuguesa tem um característico salto de prateleira, baixo e largo, que se projeta atrás da bota e foi concebido para assentar a espora portuguesa em forma de lira.
Na cintura usa-se a faixa. Em tempos, apresentava um código de cores que indicava quem era o cavaleiro: preta para um camponês trabalhador, azul ou vermelha para um campino, preta para um proprietário rural.
II · Espanha, o traje corto¶
O fato curto do vaquero das dehesas: um sombrero de ala ancha; um casaco curto, abotoado em posição alta sobre uma camisa branca; calças de cintura alta; e zahones, perneiras de couro. As cores tendem para o cinzento, o preto e o azul-escuro. O casaco português tem um corte reto nas costas. O casaco espanhol é cintado porque a sela espanhola tem um arco traseiro mais alto e um casaco de corte reto assentaria mal sobre ela.
Leia a seguir A sela vaquera
III · França, o gardian da Camarga¶
A forma mais antiga consistia em calções de couro, polainas e a taillole, uma faixa larga de lã vermelha usada na cintura.
A forma moderna consolidou-se na década de 1920, em grande medida por influência de Folco de Baroncelli-Javon: um chapéu de feltro, uma camisa estampada ou florida, calças de moleskin, um casaco de veludo e botas.
IV · Itália, os butteri¶
Os pastores de gado a cavalo da Maremma usam um chapéu de abas largas, um casaco de trabalho e proteções resistentes de couro para as pernas, e transportam o uncino, um cajado comprido com gancho.
V · O Que Exigem as Regras¶
Internacionalmente. Num campeonato da WAWE, todos os concorrentes montam com o Traje Nacional de Equitação de Trabalho do seu próprio país. Cada nação membro envia à WAWE uma descrição escrita do seu traje e arreios um mês antes do evento. Uma nação que não o faça é penalizada na apresentação.
Em Portugal. A APSL exige o Traje de Equitação Português a todos os concorrentes e não permite qualquer peça pertencente a outro tipo de traje.
Nos Estados Unidos. A USAWE permite que os cavaleiros compitam com os arreios e o traje de trabalho da nacionalidade que escolherem: Western, espanhola ou Vaquera, portuguesa, inglesa ou Australian stock. As suas regras acrescentam que o vestuário «não deve ser uma área em que a preferência pessoal influencie as notas».
O traje é usado como uma única tradição nacional, em vez de ser composto por peças pertencentes a várias tradições. Quando as regras especificam penalizações para uma apresentação mista, essas regras são aplicáveis.
A escolha permitida depende do organismo responsável.
VI · O Que É Necessário na Primeira Competição¶
Nos níveis inferiores, os requisitos podem ser mais simples do que a apresentação nacional completa vista nas competições internacionais.
Portugal, por exemplo, não exige o Traje de Equitação Português completo na categoria Preliminar.
Consulte as regras atuais da sua própria federação antes de se inscrever, porque os pormenores variam consoante o país e o nível.
Segundo as regras da WAWE, os capacetes são obrigatórios para Juniores e Jovens Cavaleiros em todas as provas, no aquecimento e na inspeção veterinária, e são recomendados para Seniores. Portugal exige o toque aos cavaleiros com menos de dezoito anos. Nenhum cavaleiro é alguma vez penalizado por utilizar equipamento de proteção.
VII · Apresentação¶
A apresentação inclui o cavalo, os arreios e o cavaleiro.
O Comissário de Paddock verifica o traje e os arreios antes e depois de cada prova. São permitidas caneleiras de proteção ou ligaduras na Maneabilidade, na Velocidade e na Prova da Vaca; e cloches na Velocidade e na Prova da Vaca. Podem ser permitidas toucas antimoscas nas competições ao ar livre, ao critério do Presidente do Júri, e têm de ser retiradas depois da prova para que as embocaduras, as esporas e as orelhas possam ser verificadas.
VIII · Por Que Razão o Desporto Manteve Quatro Tradições¶
Os regulamentos declaram diretamente o objetivo: preservar as tradições, o vestuário e os arreios que fazem parte do património cultural equestre de cada nação.
A finalidade é conservar o traje de trabalho associado às tradições nacionais, em vez de o substituir por um único uniforme internacional.
Leia a seguir As quatro tradições
IX · O Traje Pertence à Equitação¶
As quatro tradições nacionais têm aspetos diferentes porque as suas vidas de trabalho eram diferentes. O seu vestuário desenvolveu-se em função dos cavalos, das selas, das condições meteorológicas, do terreno e das tarefas que os cavaleiros tinham de realizar.
Isso torna o traje mais interessante do que a aparência por si só.
O corte de um casaco, a posição de uma perna, a altura de uma bota ou a forma de um salto surgem todos a par de equipamento desenvolvido dentro da mesma tradição equestre. Em conjunto, formam uma disposição prática em torno do cavaleiro.
Para os Membros do Colégio, o estudo começa a interpretar a apresentação nesse contexto mais amplo.
A pergunta passa a ser como o cavaleiro, o vestuário, a sela e o equipamento se integram e por que razão a competição preserva essas relações, em vez de reduzir quatro tradições a um único uniforme internacional.
Isso confere à apresentação um lugar útil no estudo da Equitação de Trabalho. Aquilo que surge na pista como traje nacional é também uma prova da cultura equestre que o produziu.
Enquanto o Ramo Um apresenta aos Membros as quatro tradições e o traje que delas resultou, o Ramo Três leva essa herança para a competição, e a apresentação, os arreios e os regulamentos que os envolvem tornam-se parte da apresentação correta da tradição na pista. O estudo relaciona, assim, aquilo que o cavaleiro veste com a cultura equestre de onde veio e com a competição em que agora surge.