Quais são os regulamentos da Equitação de Trabalho?
A Equitação de Trabalho dispõe de regulamentos internacionais e nacionais, com algumas diferenças entre si.
A World Association for Working Equitation elabora os regulamentos internacionais. A sua edição de 2025 foi aprovada em fevereiro de 2025 e entrou em vigor em abril do mesmo ano, regendo os campeonatos mundiais e continentais.
As federações nacionais elaboram os seus próprios regulamentos para a competição no respetivo país. Em Portugal, essa função cabe à APSL, por delegação da Federação Equestre Portuguesa. Nos Estados Unidos, cabe à USA Working Equitation. Outros países regem as respetivas competições nacionais através dos seus próprios organismos nacionais. Os regulamentos nacionais podem utilizar estruturas de níveis e dimensões diferentes, bem como obstáculos adicionais.
O conjunto fundamental de obstáculos da WAWE constitui a referência internacional, enquanto os regulamentos nacionais podem alterar dimensões e terminologia ou acrescentar tarefas nacionais.
O regulamento aplicável depende da competição e da jurisdição.
I · Equitação com Uma Só Mão ao Nível Sénior¶
No nível mais elevado da modalidade, as rédeas são levadas numa só mão.
Os regulamentos internacionais exigem que todas as provas sejam realizadas com as rédeas na mão esquerda do cavaleiro, deixando a mão direita livre para executar os obstáculos. Uma disposição transitória permite aos cavaleiros inverter as mãos até ao final de 2026, caso o solicitem e a comissão organizadora concorde.
O cavaleiro é eliminado se a mão livre tocar na rédea à frente da mão que leva as rédeas ou se for vista a prestar qualquer auxílio. Qualquer ajuste das rédeas com a mão livre tem de ser momentâneo.
Os cavaleiros mais jovens são tratados de forma diferente. Os Juniores realizam as três provas com as duas mãos e duas rédeas, utilizando a mão direita apenas para executar os obstáculos. Os Jovens Cavaleiros podem escolher entre uma ou duas mãos, mas têm de declarar a escolha antes de cada prova e mantê-la do princípio ao fim. Um cavaleiro pode realizar uma prova com uma mão e outra com duas.
Em Portugal, o mesmo requisito aplica-se às categorias de Consagrados Série A e Masters, nas quais passar a mão livre à frente ou atrás da mão que leva as rédeas por mais tempo do que o necessário para ajustar as rédeas constitui motivo de eliminação. Os Consagrados Série B podem utilizar ambas as mãos em todas as provas.
Leia a seguir A equitação com uma só mão e como um cavaleiro chega a esse ponto
II · As Pistas¶
Os requisitos da pista diferem consoante a prova e, em alguns casos, a jurisdição.
| Prova | Internacional | Portugal |
|---|---|---|
| Ensino de Equitação de Trabalho | 20 × 40 m | 20 × 40 m |
| Maneabilidade | mínimo de 70 × 30 m | sem dimensão mínima; recomendam-se 70 × 40 m |
| Prova da Vaca | mínimo de 60 × 20 m, máximo de 80 × 30 m | mínimo de 70 × 30 m |
Tanto a WAWE como a APSL utilizam uma pista de Ensino de Equitação de Trabalho de 20 × 40 metros. As dimensões mais reduzidas proporcionam ao cavalo menos distância entre movimentos e transições sucessivos.
O retângulo de ensino é delimitado por uma barreira com uma altura não superior a meio metro, com uma entrada de cerca de dois metros de largura no centro de um dos lados mais curtos, diante do Presidente do Júri. Os espectadores permanecem a uma distância mínima de cinco metros.
III · O Cavalo e o Cavaleiro¶
Idade do cavalo. As provas internacionais estão abertas a cavalos com seis anos ou mais. Portugal estabelece a idade por categoria: cinco anos ou mais para a maioria e sete anos ou mais para Masters.
Idade do cavaleiro. As categorias internacionais são Juniores, até ao ano em que completam dezasseis anos; Jovens Cavaleiros, até ao ano em que completam vinte e um anos; e Seniores. Um cavaleiro que suba de categoria não pode voltar a descer. Os Juniores não participam na Prova da Vaca.
Saúde e passaporte. Todos os cavalos possuem um documento de identificação e um certificado veterinário e são inspecionados antes da competição.
IV · Arreios e Traje¶
Os concorrentes montam com o traje nacional de Equitação de Trabalho do seu país e com os arreios que lhe correspondem. Antes de um campeonato, cada nação membro envia ao organismo internacional uma descrição do seu traje e dos seus arreios. Se um país não enviar essa descrição, os seus cavaleiros recebem uma nota inferior na apresentação.
As regras relativas ao equipamento são específicas.
As hastes de um freio, pelham ou bocado tradicional não podem ter mais de doze centímetros, e a embocadura de um freio não pode ter menos de doze milímetros de espessura. Os bocados têm de possuir uma superfície lisa. São proibidos os bocados torcidos e de arame, e nenhum bocado pode colocar elementos mecânicos sobre a língua. As rodelas de borracha podem ter até nove centímetros de diâmetro. É permitido o uso de freio e bridão, com a rédea do bridão solta sobre o pescoço do cavalo. Não são permitidas serretas.
As focinheiras têm de ser de couro macio. Uma focinheira ou barbela nunca pode ser apertada ao ponto de magoar o cavalo, e o comissário do paddock verifica o aperto, antes e depois de cada prova, introduzindo o dedo indicador enluvado entre a face do cavalo e a focinheira.
O uso de capacete é obrigatório para Juniores e Jovens Cavaleiros em todas as provas, no aquecimento e na inspeção veterinária, e é recomendado para Seniores.
As proteções e ligaduras são permitidas na Maneabilidade, na Velocidade e na Prova da Vaca. As proteções de boleto são permitidas na Velocidade e na Prova da Vaca.
O cavaleiro pode levar um chicote, mantido na vertical na mão livre. Tocar no cavalo com o chicote é considerado ajuda exterior e resulta em eliminação.
Leia a seguir Traje e apresentação na Equitação de Trabalho
V · Reconhecimento do Percurso¶
Antes de o realizarem a cavalo, os cavaleiros percorrem a pé o percurso de obstáculos, envergando o traje de competição.
A pista é aberta durante pelo menos quinze minutos, e o Presidente do Júri assinala a abertura e o encerramento com uma campainha. Apenas podem participar os juízes, os delegados, os cavaleiros, os chefes de equipa e os treinadores. Ninguém pode permanecer na pista depois do sinal de encerramento, nada no percurso pode ser alterado depois desse sinal e a prova começa pelo menos dez minutos mais tarde. Um cavaleiro que entre na pista fora do horário previsto é eliminado.
O esquema do percurso é afixado pelo menos duas horas antes da prova, juntamente com a ordem de entrada, e é enviado às nações participantes com pelo menos uma semana de antecedência.
VI · O Que Põe Termo a uma Prova¶
Algumas faltas implicam uma penalização em pontos ou segundos. Outras resultam em eliminação.
Em todas as provas. Entrar na pista antes da autorização do Presidente do Júri. Demorar mais de um minuto a entrar depois da campainha. Os quatro cascos saírem da pista. Utilizar as duas mãos para conduzir o cavalo, exceto no caso dos Juniores e dos Jovens Cavaleiros. Tocar no cavalo com o stick. A queda do cavalo ou do cavaleiro. Acariciar ou tocar três vezes no pescoço do cavalo à frente das rédeas. Uma focinheira ou barbela excessivamente apertada. Bocados, arreios ou equipamento incorretos. Sangue nas narinas ou nos flancos do cavalo, ou sinais de claudicação.
Também na Maneabilidade e na Velocidade. Não corrigir um erro de percurso. Cruzar a linha de partida ou de chegada no sentido errado. Três recusas no mesmo obstáculo. Recusar avançar durante mais de quinze segundos. Mostrar um obstáculo ao cavalo. Transpor um obstáculo ainda não realizado. Derrubar um obstáculo ainda não realizado. Mudar a mão de trabalho durante a prova.
Também na Prova da Vaca. Cinco vacas, para além da que foi designada, atravessarem a linha de contenção. Maltratar o gado. Um auxiliar permanecer dentro da zona de contenção durante mais de cinco segundos.
E para além da eliminação. Um cavaleiro que maltrate um cavalo em qualquer momento da competição é eliminado, tal como um cavaleiro que se comporte de forma inadequada. O mesmo se aplica a um cavaleiro eliminado duas vezes por sinais de claudicação.
VII · Erros de Percurso¶
Um erro de percurso é uma falta na abordagem a um obstáculo ou a realização dos obstáculos fora da sequência estabelecida.
Torna-se um erro quando o cavaleiro inicia o obstáculo seguinte sem ter corrigido a abordagem ao anterior ou sem o ter realizado. O cavaleiro pode corrigir o erro: um cavaleiro que cometa um erro dentro de um obstáculo pode recomeçar esse obstáculo, desde que ainda não tenha entrado no seguinte.
Para que um erro cometido dentro de um obstáculo seja tratado como erro, e não como motivo de eliminação, o cavaleiro tem de ter iniciado corretamente o obstáculo.
Internacionalmente, cada erro cometido dentro de um obstáculo implica cinco pontos de penalização na média final, até ao máximo de dois erros. O terceiro erro resulta em eliminação.
Em Portugal, a prova de Ensino de Equitação de Trabalho recebe novamente um tratamento diferente: o primeiro erro implica dois pontos, o segundo implica quatro e o terceiro resulta em eliminação.
Leia a seguir Como as notas e as penalizações se transformam numa classificação
VIII · As Regras de Bem-Estar¶
As regras de bem-estar incluem motivos aplicáveis de eliminação.
Um cavaleiro que maltrate um cavalo em qualquer momento é eliminado. Um cavaleiro cujo cavalo apresente sangue nas narinas ou nos flancos é eliminado. O cavalo é verificado antes e depois de cada prova, numa zona assinalada à entrada da pista, onde apenas podem permanecer o comissário do paddock e a sua equipa.
Na Prova da Vaca, o bem-estar dos animais é tratado da mesma forma. Um cavaleiro que ponha em perigo a segurança do cavalo ou do gado é eliminado por manejo inadequado. As aguilhadas para gado só podem ser utilizadas se não causarem ferimentos, e qualquer sinal de ferimento ou sangue provocado por um cavaleiro resulta na sua eliminação. Um médico veterinário está presente desde a chegada do gado até este voltar a ser carregado, e têm de ser disponibilizadas água e uma zona de repouso à sombra.
IX · A Regra Tem uma Razão¶
As regras dizem ao cavaleiro o que é exigido. Compreender uma disciplina significa também aprender a reconhecer aquilo que a regra protege.
Uma Cancela tem de ser deixada numa determinada posição. O equipamento está sujeito a limites. Um percurso tem de ser realizado pela ordem prescrita. As regras de bem-estar determinam o que pode acontecer, mesmo quando a competição está em causa.
Cada uma delas molda a modalidade que se apresenta na pista.
Para os Membros do Colégio, as regras tornam-se algo que deve ser interpretado, além de cumprido.
O estudo mais aprofundado procura compreender o que uma regra controla, que parte da disciplina preserva e o que muda na equitação quando essa regra entra em jogo. Algumas protegem a equidade entre os concorrentes. Algumas protegem o cavalo. Outras preservam uma exigência do trabalho que transitou para a competição moderna.
Isso confere ao regulamento outra finalidade. Continua a ser a autoridade que determina aquilo que o cavaleiro pode fazer, enquanto o estudo dos Membros começa a reintegrar essas regras individuais na disciplina que foram elaboradas para reger.
Conhecer a regra fornece o requisito. O estudo posterior procura compreender o que esse requisito rege dentro da prova. O Ramo Um apresenta aos Membros a disciplina e as razões subjacentes a muito do que nela surge, e o Ramo Três leva essa compreensão para a competição, onde as regras se tornam o quadro dentro do qual o cavalo e o cavaleiro têm de executar o trabalho.