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Competição de Equitação de Trabalho

O que significa Maneabilidade na Equitação de Trabalho?

A Maneabilidade é a segunda prova: um percurso de obstáculos, realizado por ordem, em que é atribuída uma nota de zero a dez pela qualidade com que cada obstáculo é transposto.

As regras internacionais também lhe chamam Maneability. Ambos os nomes descrevem a mesma prova.

A palavra Facilidade descreve a qualidade da volta. O cavalo permanece disponível para o cavaleiro antes, durante e depois de cada obstáculo, mantendo o ritmo, o equilíbrio e a capacidade de resposta à medida que as exigências mudam.

O objetivo declarado da prova é demonstrar que o cavalo e o cavaleiro conseguem executar obstáculos que reproduzem as dificuldades do dia de trabalho.

I · Por Que Razão os Obstáculos Tornam a Precisão Visível

Um obstáculo proporciona ao cavaleiro limites físicos exatos. A ponte tem margens, a cancela tem uma posição fixa e os tambores e as varas delimitam o espaço que o cavalo tem de percorrer.

Por conseguinte, o juiz avalia a qualidade da execução dentro desses limites, e não apenas se o obstáculo foi concluído.

Leia a seguir Os Quatro Princípios Orientadores e aquilo que o juiz interpreta

II · Cada Percurso É Novo

Não existe uma única configuração de percurso padrão. Os obstáculos selecionados, a sua ordem e os traçados entre eles mudam de uma competição para outra.

O conjunto regulamentado de obstáculos permanece familiar, embora o próprio percurso mude.

A distância entre obstáculos nunca é inferior a dez metros segundo as regras internacionais, embora possa ser adaptada à pista.

O tempo máximo é calculado, e não fixo. Ambos os regulamentos calculam-no da mesma forma: a distância do percurso, realizada a um galope de trabalho de 250 metros por minuto, acrescida de um tempo concedido para cada obstáculo: sete segundos para a ponte, dez para a cancela, quinze para o Redil, e assim sucessivamente. O valor é comunicado aos cavaleiros quando fazem o reconhecimento do percurso. Em Portugal, cada segundo excedido custa um ponto.

Os principais obstáculos - a cancela, o obstáculo da vara, a ponte e o Redil, incluindo animais quando forem utilizados, têm de estar disponíveis na pista de aquecimento no dia anterior à prova de Maneabilidade.

III · O Reconhecimento do Percurso

O cavaleiro percorre o percurso a pé antes de o realizar a cavalo, usando o traje de competição.

A pista abre durante pelo menos quinze minutos, e o Presidente do Júri assinala a abertura e o encerramento com uma campainha. Apenas podem participar juízes, delegados, cavaleiros, chefes de equipa e treinadores. Nada no percurso pode ser alterado após o sinal de encerramento, e a prova começa pelo menos dez minutos mais tarde.

O cavaleiro estuda o terreno e planeia cada aproximação e saída, decidindo onde o cavalo terá de reunir, virar, parar ou avançar. O mapa do percurso é afixado com pelo menos duas horas de antecedência e chega às nações participantes uma semana antes.

IV · Como É Concluído um Obstáculo

Têm de acontecer três coisas, por ordem.

O cavalo passa entre as bandeiras de entrada na direção correta. Executa a manobra exigida pelo obstáculo. Sai através das bandeiras de saída.

Os obstáculos são numerados pela ordem em que são realizados, com o número à direita da entrada, e as bandeiras vermelhas ficam à direita e as brancas à esquerda.

Um percurso internacional tem de ser disposto de modo a poder ser realizado com as rédeas numa só mão.

V · Como É Avaliado Cada Obstáculo

Cada obstáculo recebe uma nota de 0 a 10, na mesma escala utilizada no Ensino de Equitação de Trabalho.

A nota avalia a qualidade da execução. Veja-se a cancela. Dois cavaleiros abrem-na, passam através dela e fecham-na. Um dos cavalos mantém-se direito, atento e equilibrado, e o cavaleiro conclui a tarefa em poucos passos tranquilos. O outro perde o alinhamento, desloca os posteriores para o lado, resiste ao contacto e afasta-se precipitadamente. Ambos concluíram a cancela, mas a primeira execução receberia a nota de qualidade mais elevada.

Cada obstáculo é avaliado primeiro segundo as mesmas qualidades gerais e, depois, segundo as suas qualidades específicas: o ritmo, a liberdade e a regularidade dos andamentos, a impulsão e a submissão.

A par das notas dos obstáculos, o juiz avalia o cavalo quanto à regularidade dos movimentos, à qualidade das partidas a galope, à submissão e à resposta às ajudas, à reunião e à harmonia do movimento; e avalia o cavaleiro quanto à posição na sela, à facilidade de movimento e à estabilidade, à utilização e eficácia das ajudas e, nas classes seniores, à utilização exclusiva da mão esquerda.

Portugal utiliza também uma Nota de Percurso. A prova de Maneabilidade inclui uma Nota de Percurso de 1 a 10, com um coeficiente de dois, que avalia a volta como um todo.

VI · O Andamento entre Obstáculos

Segundo as regras portuguesas, o andamento exigido entre obstáculos é o galope, e o trote é severamente penalizado.

O regulamento português declara especificamente que o trabalho utiliza o passo e o galope e, por conseguinte, exige o galope entre obstáculos. O trabalho lateral pode ser apresentado sem ser penalizado pelo tempo que demora.

No nível Preliminar, os andamentos permitidos são mais abrangentes. Um percurso Preliminar português pode ser realizado ao passo, ao trote e ao galope, sendo as mudanças de mão substituídas por transições, às quais os juízes atribuem especial valor.

VII · O Que Põe Fim a uma Volta

Para além dos motivos gerais aplicáveis a todas as provas, há três faltas específicas do percurso de obstáculos.

Três recusas no mesmo obstáculo. Recusar avançar durante mais de quinze segundos. Um erro de percurso que não seja corrigido.

Um erro de percurso é uma falta na aproximação a um obstáculo ou a realização dos obstáculos fora da sequência. É confirmado quando o cavaleiro inicia o obstáculo seguinte sem ter corrigido o anterior. Um cavaleiro pode corrigir o erro reiniciando o obstáculo, desde que ainda não tenha entrado no seguinte.

Derrubar um obstáculo que ainda não tenha sido realizado dá origem à eliminação. Mostrar um obstáculo ao cavalo dá origem à eliminação. Mudar a mão de trabalho durante a prova dá origem à eliminação.

VIII · O Mesmo Percurso, Amanhã, Contra o Cronómetro

A prova de Velocidade utiliza o percurso de obstáculos de forma diferente, porque o resultado é determinado pelo tempo corrigido, e não por notas de qualidade.

Na Maneabilidade, a ponte é atravessada a passo e, na Velocidade, pode ser transposta noutro andamento. A cancela transforma-se numa corda. Na Maneabilidade, o Redil é contornado nas duas direções e, na Velocidade, apenas uma vez. Na Velocidade, o juiz deixa de atribuir uma nota de qualidade a cada obstáculo.

Leia a seguir A prova de Velocidade

IX · O Que o Obstáculo Revela sobre a Equitação

Um obstáculo de Maneabilidade apresenta ao cavalo e ao cavaleiro uma questão física com limites que o juiz consegue ver.

Veja-se um círculo em torno de um tambor. O seu tamanho, o seu traçado e o ponto de regresso são visíveis. Dentro dessa forma, o juiz consegue também ver se o cavalo se mantém equilibrado durante a volta, se o ritmo muda, se as espáduas ou os posteriores abandonam o traçado pretendido e até que ponto o cavaleiro necessita de se reorganizar.

É isso que torna os obstáculos tão úteis como uma prova da equitação.

Um obstáculo tecnicamente concluído pode ainda assim receber uma nota baixa se o ritmo, o equilíbrio, a capacidade de resposta ou a qualidade da execução se perderem durante a sua realização.

Para os Membros do Colégio, o obstáculo torna-se, assim, uma forma de separar várias questões que, vistas do exterior da pista, podem parecer uma só. Qual era a tarefa? Que traçado exigia? O que aconteceu ao cavalo dentro desse traçado? Que qualidade foi mantida desde a aproximação até à saída?

O limite físico torna essas mudanças mais fáceis de reconhecer. Uma perda de equilíbrio tem um lugar onde se manifestar. Um traçado impreciso tem uma referência em relação à qual pode ser observado. Uma resposta tardia altera aquilo que acontece a seguir.

O Ramo Três leva essa interpretação para a competição, onde o cavaleiro começa a relacionar a execução com as decisões relativas ao percurso e a perspetiva do juiz sobre o trabalho.

A Maneabilidade proporciona aos Membros algo particularmente claro para estudar: o obstáculo fornece a forma, e o cavalo e o cavaleiro mostram a qualidade no seu interior.

Leia a seguir Todos os obstáculos, com as respetivas dimensões