O Que É uma Garrocha?
A garrocha é uma vara.
Com três a quatro metros de madeira reta, foi por séculos a ferramenta de trabalho do boiadeiro montado do sul da Espanha. Era usada para guiar o gado, pressionar um animal à distância e mover uma única rês dentro do rebanho. Tudo a cavalo, e sem desmontar.
É também a razão pela qual o esporte desenvolve todo cavaleiro rumo a conduzir as rédeas em uma só mão.
I · Para Que Servia a Garrocha¶
O comprimento da garrocha servia como uma extensão do alcance do cavaleiro.
Era uma forma de guiar um animal, manter pressão sobre uma rês à distância e posicionar uma única rês dentro do rebanho, ao longo de longos dias e terrenos difíceis. É uma ferramenta de alcance e controle, e pedia que o cavaleiro fizesse duas coisas separadas ao mesmo tempo: uma mão para o trabalho, uma para o cavalo.
É o instrumento da Doma Vaquera, e do acoso y derribo, no qual um cavaleiro montado derruba uma rês em corrida com a vara. Seu trabalho o levava a enfrentar touros de briga a céu aberto, e às tientas, onde os animais jovens são testados quanto ao seu ânimo. Mas permaneceu uma ferramenta do campo de gado, e não da arena de touros.
II · Qual É o Comprimento de uma Vara de Garrocha¶
Cerca de três metros e meio, com a faixa de trabalho variando de aproximadamente três a quatro metros.
É madeira reta, carregada na vertical. Pela convenção ibérica, e nas regras internacionais de hoje, a vara é carregada na mão direita e as rédeas são reunidas na esquerda.
III · A Garrocha da Espanha, o Pampilho de Portugal¶
A garrocha nasceu espanhola. É a vara que o vaquero carregava pelas dehesas da Extremadura e da Andaluzia para separar e conter o gado à distância.
Portugal levou a mesma equitação com uma vara própria. Nas herdades do Ribatejo, o campino trabalhava o gado com o pampilho, a lança pontiaguda do boiadeiro português.
As ferramentas e os nomes diferem, mas ambas as tradições exigiam que o cavaleiro trabalhasse com uma mão ocupada pela vara e as rédeas na outra. O cavalo, portanto, precisava responder principalmente ao assento e à perna.
A Equitação de Trabalho usa a garrocha espanhola para os obstáculos de vara na competição.
IV · Por Que a Garrocha Explica a Equitação de Uma Só Mão¶
Com a vara ocupando uma mão, o cavaleiro tinha apenas uma mão disponível para as rédeas. O assento e a perna, portanto, tinham que carregar muito mais da comunicação. O assento carregava o peso e o ritmo. A perna mantinha e posicionava a energia. As rédeas, reunidas em uma mão e em contato leve, confirmavam o que o assento já havia pedido.
O cavalo ainda precisava permanecer totalmente nas ajudas. Carregar as rédeas em uma mão mudava o arranjo das rédeas, não a exigência de comunicação.
O cavalo era treinado para sustentar seu próprio equilíbrio e responder ao assento e à perna, enquanto a rédea permanecia em contato leve.
Esse arranjo de trabalho é a razão pela qual a equitação de uma só mão continua fazendo parte do padrão sênior.
V · Como o Cavaleiro Progride para Uma Só Mão¶
No início, o cavaleiro usa as duas mãos enquanto cavalo e cavaleiro desenvolvem respostas mais claras ao assento, à perna e à rédea.
À medida que o cavalo se torna mais autoconduzido e o assento do cavaleiro fica mais preciso, menos precisa acontecer pelas rédeas.
Carregar as rédeas em uma só mão, portanto, testa tanto o autoequilíbrio do cavalo quanto o controle do cavaleiro.
Os níveis competitivos seguem a mesma progressão: duas mãos nos níveis mais baixos enquanto o assento se forma, as rédeas em uma só mão no padrão sênior. As escalas diferem de país para país. A direção é sempre a mesma.
VI · A Garrocha na Competição¶
Na pista, a garrocha se torna obstáculos próprios, montados na Maneabilidade e na Velocidade. O cavaleiro levanta a vara de um tambor, a carrega, e a devolve; depois espeta uma argola suspensa na ponta e coloca vara e argola juntas no tambor.
Na prova de Velocidade, essa espetada completa rende um bônus de cinco segundos, porque acertar a ponta em um alvo tão pequeno em velocidade, e mantê-la, pede um cavalo que sustenta sua própria linha.
A própria equitação de uma só mão pertence a todo o padrão sênior, e não só à garrocha. Nesse nível, as rédeas são carregadas em uma só mão em todas as provas, incluindo o Ensino, enquanto a vara é retomada apenas onde seus próprios obstáculos a exigem.
Leia a seguir Os obstáculos de garrocha, por completo
VII · A Ferramenta Que Apontou a Equitação para um Rumo¶
A garrocha explica mais do que por que a Equitação de Trabalho é montada com uma só mão em seu nível mais alto. Ela explica por que boa parte do ensino do Colégio aponta na mesma direção.
Os quatro Princípios Orientadores descrevem qualidades diferentes no trabalho. Rítmico, Preciso, Calmo e Fluente fazem cada um uma pergunta diferente ao cavalo e ao cavaleiro. Uma só mão é outra coisa.
Para os Membros do Colégio, o Artigo 16 torna essa distinção explícita.
Uma só mão não é mais um Princípio somado aos quatro. É o rumo para o qual eles apontam. A garrocha ajuda a explicar por quê.
O cavaleiro de trabalho já tinha uma tarefa para a outra mão. A vara a ocupava. O que restava tinha que ser suficiente: um cavalo carregando seu próprio equilíbrio, um cavaleiro cujo assento conseguisse organizar o trabalho, e uma rédea quieta o bastante para confirmar, em vez de criar continuamente a resposta.
Isso dá à garrocha um lugar diferente dentro do estudo de Membro. Ela continua sendo a simples ferramenta de trabalho descrita na Biblioteca, mas o Artigo 16 também a usa para explicar para onde o padrão está caminhando.
Mais adiante no currículo, a pergunta muda de novo. A história já explicou por que uma só mão importava. A equitação e o treinamento então precisam produzir um cavalo e um cavaleiro capazes de tornar isso possível.